Artesanato como fonte de renda e desenvolvimento sutentável no Amazonas
A história do artesanato está vinculada à própria história do homem, pois a necessidade de produzir objetos utilitários para a sobrevivência, e até mesmo adornos pessoais, motivou a sua capacidade criativa e produtiva.
Os primeiros artesãos surgiram no período neolítico (6.000 a.C) quando o homem aprendeu a polir a pedra, a fabricar a cerâmica e a tecer fibras animais e vegetais. O artesanato brasileiro também surgiu neste período, utilizando a pintura com pigmentos naturais; depois veio a cestaria e a cerâmica, seguidas da arte plumária para a confecção de cocares, tangas e outras peças de vestuário feitos com penas e plumas de aves. Na época da descoberta da Amazônia pelos europeus (século XVI), os historiadores estimam que existiam na região cerca de 7 milhões de ameríndios. Há quem diga que perto de 250 mil índios tapajós habitavam nessa época a região do Médio Amazonas, 60 mil deles só em Santarém. O surpreendente, é que alguns desses índios eram povos muito avançados, que comercializavam a grandes distâncias e construíram aldeias evoluídas, cuja cultura começou a se desenvolver mais de mil anos antes do desembarque de Cabral no Brasil. Os pesquisadores são unânimes em afirmar que a cerâmica de alguns desses povos está entre as mais belas e bem elaboradas do mundo e que o artesanato tem sido praticado na região há pelo menos 7 mil anos, e não 4 mil, como se acreditava, além de ser autógeno e não originária dos Andes colombianos, conforme se sustentou durante muito tempo.
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Sabe-se que o artesanato pode ser praticado de várias formas – erudito, popular e folclórico, como cerâmica utilitária, funilaria popular, trabalhos em couro e chifre, trançados e tecidos de fibras vegetais e animais (sedenho), instrumentos musicais e tinturaria popular. A criatividade também se manifesta nas pinturas, desenhos, esculturas, trabalhos em madeiras, pedra, guaraná, cera, bijuteria, renda, crochê e papel recortado, e fazem do artesanato brasileiro um dos mais ricos do mundo. Essa arte garante o sustento de muitas famílias e comunidades, além de fazer parte do folclore, usos, costumes e tradições de cada região, se desenvolvendo onde é mais propícia à aquisição de matéria-prima, como barro, sementes, fibras vegetais e plumas. Seus exemplares são encontrados em feiras e mercados do Norte e Nordeste do Brasil, constituindo-se um importante produto comercial e turístico.
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A arte de trançar fibras, deixada pelos índios (esteiras, redes, balaios, chapéus, peneiras e outros), possui uma imensa variedade de trançados, explorada através de formas geométricas, com espessuras, corantes, texturas e outros materiais, cujo artesanato pode ser encontrado em diversas regiões do Norte e Nordeste do Brasil. Mas é na Amazônia que essa arte ganha mais beleza e força por conta do artesanato indígena, onde cada grupo étnico tem seu estilo próprio, cuja característica geral está na tinta, traçado e textura usadas pelas tribos. Os adornos em arte plumária são outros importantes trabalhos que identificam o artesanato de certas etnias, contudo, a grande maioria das tribos desenvolve a cerâmica e a cestaria como utilitários ou para rituais sagrados, inclusive flautas, chocalhos e outros instrumentos.
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Além da função utilitária do artesanato para o lar e para a comunidade, ele possibilita ao artesão melhores condições de vida, atuando contra o desemprego e contribuindo como fator de coesão e paz social. O artesanato desperta as aptidões latentes das pessoas e aprimora o intelecto, além de ser de grande valor para a criança em idade escolar, principalmente a carpintaria, modelagem e papel recortado. Por outro lado, a atividade abranda o temperamento hostil ou agitado das pessoas que sofrem desvios de personalidade, as quais poderão corrigir seus problemas por meio da ocupação manual, sendo recomendada ainda para certos enfermos que são obrigados a permanecer no leito durante muito tempo, mas que possam produzir certos objetos com as mãos, exigindo mais habilidade e paciência do que esforço físico.
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No Amazonas, segundo fontes do Projeto Design Tropical (Fucapi), a diversidade formal do seu artesanato, em especial os feitos em palha trançada, cipós e sementes, tem seus traços comuns com matrizes culturais indígenas e caboclas – tramas geométricas e fortes
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