Cursos de capacitação para artesãos no Rio de Janeiro

O encontro agendado uma vez por semana é sagrado para um grupo de dez mulheres vindas de diferentes bairros cariocas. Elas brincam, dizendo que é preciso chover canivete para cancelar um desses compromissos, nos quais transformam em trabalho profissional o que já faziam como hobby nas próprias casas. A turma, batizada de Retalhos e Bordados, como o nome sugere, corta, costura e borda peças cobiçadas por lojas e estilistas, que recorrem ao programa de incentivo ao artesanato mantido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico.

A iniciativa já reúne 2.400 artesãos em todo o estado. O Retalhos e Bordados, por exemplo, criado há quatro anos, alçou voo e hoje vende suas criações de apliques e roupas femininas.

Uma das mais antigas da turma de artesãs, a aposentada Ana Maria Vicenzio conta que, por meio do programa, elas tiveram cursos de capacitação e aprimoramento de técnica e estilo, para transformar simples trabalhos manuais em artesanato com qualidade para comercialização. As integrantes do grupo, todas aposentadas, já conseguem complementar a renda familiar com as peças produzidas.

Nosso grupo de bordadeiras foi se reunindo informalmente. Cada uma de nós soube do programa de alguma maneira e nos inscrevemos. Viemos de bairros diferentes e nos reunimos semanalmente para produzir nossos bordados. Eles já são um fonte de renda extra nos nossos orçamentos. É muito gratificante - conta Ana, porta-voz do grupo, que também expõe as peças em feiras cariocas, como as da Praça Quinze e da Rua do Lavradio, no Centro.

Temos hoje todos os municípios envolvidos. Cabe à nossa secretaria, por meio de polos regionais, promover encontros com artesãos e oferecer a qualificação profissional, que vai diferenciar o trabalho manual do artesanato. "

O Programa de Artesanato Brasileiro, criado pelo Ministério do Desenvolvimento, é coordenado no Estado do Rio de Janeiro pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Por meio de polos regionais, o projeto já reúne 2.400 artesãos (400 moradores do município do Rio). Uma parcela deles é vinculada a 45 cooperativas e grupos produtivos.

A secretaria é um multiplicador desse programa do ministério, cujo conceito é transformar o artesanato em gerador de trabalho e renda. Temos hoje todos os municípios envolvidos. Cabe à nossa secretaria, por meio de polos regionais, promover encontros com artesãos e oferecer a qualificação profissional, que vai diferenciar o trabalho manual do artesanato. Este deve agregar valor, que é o design. E, numa parceria com o Sebrae e o Clube de Diretores Lojistas, fechada há três meses, estamos possibilitando a venda no atacado desses produtos - explica a subsecretária de Desenvolvimento Econômico, Dulce Ângela Procópio.

No Rio, um imóvel da secretaria, em Botafogo, serve de ponto de encontro semanal para alguns grupos de artesãos. Nos próximos dias, a casa, na Rua Real Grandeza, entrará em obras, mas no segundo semestre, anuncia a subsecretária, ela reabrirá como showroom das peças produzidas. Ali, estilistas, lojistas e outras pessoas jurídicas poderão fazer encomendas. Turistas e pessoas físicas que visitarem o showroom serão informados onde comprar as peças no varejo. Será criado ainda um site para reunir imagens das peças produzidas pelos artesãos.

De hobby a trabalho gerador de renda

Diante da qualidade das peças, estilistas e lojistas andam de olho nos trabalhos produzidos pelos artesãos vinculados ao programa. As integrantes do Retalhos e Bordados recebem encomendas de lojas especializadas e de estilistas cariocas, como Beto Neves (da Complexo B), Cocco Barçante e Marco Rica.

Além de uma terapia, é uma fonte de renda - diz a dona de casa Rosa Maria Ivo, moradora de Benfica, que, como as colegas de ofício, passou por cursos de capacitação.

Outro grupo de mulheres descobriu, há dois anos, o programa e formou o Bordado Carioca, que se reúne, duas vezes por semana, na casa da Real Grandeza. As dez artesãs bordam camisetas para grifes.

Formado por 11 mulheres moradoras do município de Queimados, o Cestaria Botânica também já recebe encomendas. Na última semana, por exemplo, as artesãs corriam contra o tempo para entregar 37 dúzias de descansos de panelas e cestas em piaçava pedidas pelo supermercado Pão de Açúcar. Elas produzem ainda peças em taboa. Segundo Geralda Jenuíno Formiga, presidente da associação de artesãs, a venda dos produtos já complementa o orçamento doméstico.

Eu comecei a fazer cestas com folha de jornal. Chamei algumas moradoras da região para fazer comigo quando descobri um curso de capacitação do Sebrae. Assim, viemos parar no programa da secretaria - conta Geralda, lamentando ainda não ter tido a oportunidade de admirar nas prateleiras do supermercado as peças que produz.

Fonte: O Globo Online

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