Feira de Artesanato do Mercado Distrital do Cruzeiro em BH
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As bonecas de cabaças, de diversas cores e tamanhos, têm cabelos feitos com sementes de eucalipto. As obras encantam crianças e adultos e parecem ganhar vida nas mãos da artesã Míriam Possa, de 56 anos, que aprendeu o ofício ainda menina.
Os broches e mandalas de papel mostram toda a paciência das amigas Andrea Silveira, de 43, e Neuma Rodrigues, de 49, e chamam a atenção de pessoas de todas as idades. As três artistas e outros 35 expositores deram um toque especial, no fim de semana, ao Mercado Distrital do Cruzeiro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde ocorreu a primeira edição do Mercado das Artes. A intenção, como informa a organizadora da feira, Márcia Gerken, é repetir o evento a cada três meses.
Bom para o público que não pôde ir ao local sábado e domingo, pois terá outra oportunidade de conhecer parte da grandiosidade do artesanato mineiro. Quem conferiu de perto as peças decorativas, os acessórios e demais produtos terá mais um motivo para voltar ao Cruzeiro, o único dos três distritais que ainda mantém as portas abertas. Inaugurados em 1974, o mercado do Santa Tereza, na Região Leste, foi fechado pela prefeitura em 2007, e deverá ser reaberto nos próximos anos, como um centro cultural; o do Barroca, no lado oeste da cidade, encerrou as atividades em 2000 e não há projeto para retirar o prédio do ostracismo.
No Cruzeiro, no entanto, a diversidade de público mostra que há espaço tanto para as barracas de hortifrutigranjeiros quanto para o artesanato e outras expressões da cultura mineira. O criativo nome Mercado das Artes atraiu muita gente ao distrital. A farmacêutica Rosana Marinho, de 31 anos, moradora do Bairro Castelo, na Região da Pampulha, nunca tinha colocado os pés no estabelecimento. Saiu de lá encantada: “É a primeira vez que visito o mercado. Vim para ver a feira, que ficou linda, e achei o espaço bem organizado.”
Ela visitou a feira na companhia da mãe, a odontóloga Maria Elizabeth Roque, de 59 anos, que fez questão de elogiar a criatividade dos artesãos. “É incrível como eles transformam matéria-prima em arte!” Depois do elogio, uma olhada no trabalho da cooperativa Meninas das Gerais, que reúne um grupo de mulheres de Barbacena, na Região Central, a 173 quilômetros de BH. A distância não impediu Vera Nascimento, de 51, de viajar até a capital para mostrar as peças confeccionadas em parceria com amigas.
Seu tema preferido é a galinha, pois “retrata bem a mineiridade.” Pegando as peças nas mãos, acrescentou: “Há peças decorativas em formato de galinha, porta-talheres de galinha, puxa-saco de galinha….” Ela não é a única a vir de longe. Do Campo das Vertentes, Míriam Possa deixou Prado para mostrar ao belo-horizontino suas bonecas feitas com cabaças e sementes. “Também há santos”, diz, apontando para uma imagem de São Francisco de Assis, protetor dos animais, e outra de, como diz, “santinha”. É uma imagem feita com miolo de cedro e outras sementes, que lembra o perfil de Nossa Senhora.
Mas a homenagem, esclarece, retrata uma eremita que vive numa capela erguida entre Pará de Minas e Itaúna, no Centro-Oeste do estado. “É uma freira que se chama Gertrudes. Faz milagre em vida e mora numa igrejinha no meio do mato. Ela me visitou no ateliê há alguns anos. Um encontro mágico. Uma semana depois, vi sua figura no miolo de cedro e quis homenageá-la”, recorda emocionada a fiel artista. A religiosidade, aliás, esteve presente em várias barracas, que exibiram peças e acessórios feitos também de couro, vidro, tecido e fibra.
Entre uma barraca e outra, alguns visitantes deram uma escapulida aos bares do local, que ficam cheios nos fins de semana. O intenso movimento pôde ser conferido pelo vaivém dos garçons, que não pararam um minuto sequer. É bandeja para lá com chopes e cerveja. E bandeja para cá com diferentes tira-gostos e pratos feitos. O estudante de design de produto Tales Alves Lopes, de 20, saiu do Bairro Gutierrez, na Região Oeste, para almoçar num dos estabelecimentos do Cruzeiro. “É um ambiente agradável”, disse ele ao amigo Gabriel Cançado, da mesma idade, que também esteve lá pelo mesmo motivo: “Disseram que o cardápio é muito bom.”
A diversidade do mercado transformou o Cruzeiro num dos cartões-postais da capital. O leque de opções nas barracas e a infraestrutura oferecida aos clientes, como banheiros e estacionamento, ajudaram a organizadora Márcia a realizar o evento no local. “Há vários pontos positivos, como o amplo espaço dos corredores, o que permite às pessoas se deslocarem com mais conforto. Também um bom lugar para estacionar os veículos. Há, ainda, uma característica interessante, que é o aspecto descontraído do lugar.”
Se depender dos feirantes e da presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado Distrital do Cruzeiro (Acomec), Neusa Resende da Fonseca, o evento acontecerá daqui a três meses. “O objetivo é mostrar a grandiosidade e a importância do artesanato mineiro, além de apresentar as possibilidades de confecções de produtos interessantes com matérias-primas diversificadas”, elogiou Neusa.
Problema
Apesar de os frequentadores não economizarem elogios ao Cruzeiro, o local tem um ponto negativo. O cliente que não quiser pagar pelo estacionamento sofrerá com o assédio dos flanelinhas que atuam no entorno do distrital. Alguns, que se consideram donos da rua, marcam as vagas com cones e até bancos de madeira
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